sábado, 15 de abril de 2017

avesso

As possibilidades de enxergar o outro são inúmeras, mas o outro é, antes da minha percepção, alguém que se intitula, se rotula e eu não tenho nada com isso. A minha visão do “quem é você” não interfere na sua vida nem na vida de ninguém que eu, por ventura, queira classificar.
O que você faz ou o que deixa de fazer só interfere na vida do outro se você resolver que vai extrapolar os limites da liberdade. Você se isenta de críticas quando não toma partido, mas o que seria de você sem tomar parte de alguma coisa? O que você faz? O que você é se não tem algo em que acreditar?
Não é preciso ter opiniões formadas, mas é preciso ter no que acreditar, mas nenhuma dessas questões envolve o “ter que intervir na vida, opção, intelecto, alternativa (...) de alguém”. Nada é verdade se isso for observado a partir de um único ponto de vista. Ninguém é uma única coisa. Ninguém sabe de tudo.

 As pessoas têm que deixar de cavar raso e meter a broca nas aparências. Ir fundo, perceber (do infinitivo latino percipere, que significa “apreender pelos sentidos") que tudo é uma questão de sensibilidade. Todas as coisas são o que são. Mas as pessoas não. As pessoas estão. E isso muda todo o contexto, todos os rótulos, todas as premissas e todas as verdades.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

pontos de vista

Existem pessoas que gostam de sair e se divertir a noite inteira, tem gente que não gosta muito de sair de casa. Algumas amam tatuagens, outras não cortam o cabelo, muitas pessoas tem medo de altura e de sapo, algumas outras não tão nem aí se é inverno ou verão, pois não existe estação ideal pra jogar vídeo game o dia inteiro. Aquelas que gritam e as que falam baixinho, as que encontram beleza em tudo e as explosivas, as carentes de atenção e as solitárias, que gostam de ler livro debaixo de árvores. Existem vários tipos de pessoas, que escolhem preferências por vontade ou por insistência de um amigo, que resolvem mudar de hábitos, ou os que estão muito bem assim. Aqueles que preferiam nem ter levantado da cama, mas que não se arrependeram por que era dia de sorvete grátis na Ben & Jerry's e valeu a pena ter levantado. Existem milhares de gostos. Existem milhares de vontades. A cabeça é um infinito de possibilidades, as pessoas crescem, se aprimoram, descobrem novos sentidos e sentimentos, e a partir das percepções de mundo elas apreendem novos hábitos, novas rotinas, afinal são oitenta e seis bilhões de neurônios trabalhando incansavelmente para segurar os aprendizados, pra colocar em prática a receita de bolo que alguém aprendeu na internet, pra criar um robô, pra tomar cerveja e filosofar sobre a vida com amigos ou sozinho na mesa de um bar. O mundo é outro infinito de possibilidades, as ideias estão aí, as oportunidades estão aí, é muito desperdício não tentar entender o que o outro quer dizer, porque a partir disso, novos mundos são criados, novas ideias surgem, novos espaços se abrem e aí os oitenta e seis bilhões de neurônios são cada vez mais úteis, não só pra colocar uma colher de comida na boca ou concluir as 3 repetições de 15 levantamentos de peso de 40 quilos cada que dá aquele tônus lindo nas pernas, mas também pra criar invenções e tirar a gente daquele quadrado que a gente se esconde e se fecha e não quer mais saber de nada. Ignorar as experiências que o mundo (as pessoas, a vivência, os encontros) nos oferece é apagar dentro de si as possibilidades de recomeço e os incríveis novos mundos que podemos criar a partir disso. Não ignore, se abra, se permita, se encontre e faça das possibilidades um encontro consigo mesmo e com o universo que você vai criar.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

tudo doido de novo

Estamos sempre querendo expor nossas fraquezas, mesmo que inconscientemente, queremos aquele abraço despretensioso que anula qualquer incerteza, aquela ajudinha pra sair do fundo do poço, queremos colo, não julgamentos.
Expressar a fraqueza não quer dizer que não somos fortes, mas que podemos andar devagar segurados por muletas, porque não dá pra aguentar tudo o tempo todo, a gente tem o direito de ficar triste quando não vê nenhuma luz no fim do túnel. E quando colocamos isso pra fora, a gente não quer ouvir "eu também tô assim", mas "calma, isso vai passar, você vai ver!".
Por mais que a gente saiba que vai passar ainda é difícil ser sóbrio e maduro o suficiente. O país em crise, a gente sem emprego, sem esperança de que tudo o que a gente sonha vai se realizar, porque não dá pra enxergar esperança, ta tudo muito nublado, e não tem ninguém com uma solução imediata que nos faça sentir que "agora vai", é tudo incerto e se a gente não confiar nos incentivos e na máxima de que as coisas sempre dão certo no final, fica difícil achar um sentido na existência.
Porque a gente quer ser alguém na vida, independentes, donos dos nossos destinos, quitadores das nossas próprias dívidas.

É muito difícil ter 20 e tantos anos e não conseguir ter nada além de um diploma (que também não serve pra nada) e algumas ideias e sonhos e esperanças de que tudo vai dar certo.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

o amor e a dor

O amor e a dor
Eles andam juntos
Eles se enamoram
Eles se apaixonam

O amor e a dor
Eles cospem na cara
Eles gozam munidos
Eles se desabrocham

O amor e a dor
Eles suspiram ais sincronizados
Eles se isentam do pecado
Eles se imunizam

O amor e a dor
Eles são traiçoeiros
Eles se abraçam e somem
Eles se desesperam

O amor e a dor
Eles desacompanham
Eles se dividem em dois
Eles matam e amam.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ninguém cresce

O tempo passa, mas a gente nunca cresce de verdade. Vamos somando experiências e aprendendo mais todo dia, acho que não existe um ponto máximo de aprendizado, todo dia é um novo levantar-com-o-pé-direito, um novo cair, um novo tente-outra-vez. Não existe bula pra vida. A gente tem que seguir, mesmo que empurrado, emburrado, cansado e fraturado. Mas tem que seguir, porque o que para é pisado. Sangue pisado dói mais. Muitos buscam fórmulas da vida e da felicidade, o ideal - na minha inexperiente opinião - é deixar que a vida seja leve. É deixar que os ensinamentos e a maneira de enxergar seja vasta, é dar graus à miopia opcional. É viver intensamente o presente, por que desse jeito metalinguístico e retórico, o presente é um paradoxo, esperado e inesperado, permite surpresa e as vezes não agrada, mas sempre soma, independente se vem embrulhado ou não. O estar é tudo o que temos em mãos e é ele que monta o "foi" o "é" e o "será".

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

gósto

Eu sei que você sabe que me tem a hora que quiser. Eu sei que você sabe que gosto quando você encosta seu corpo no meu e me faz suspirar. Eu sei que você sente que minha respiração clama por um beijo seu. O que eu não quero é que você ignore isso. O que eu não quero é que você aja como se entre nós esse instinto não fosse tão natural. Você sabe que isso é forte e sabe que isso percorre as nossas veias na mesma sintonia, você sabe disso e isso eu posso sentir, não finja que não sente, não finja que não me quer, pois eu sei que quer. Eu sei que você também gosta do meu toque e do meu gosto. Não finja que não temos um diferencial, um tempero, um q a mais. Não finja, porque isso me machuca. E por mais que você não seja o amor, agora você está sendo quem eu quero, está sendo o motivo de estar acordada ainda, de estar olhando pro nada e sorrindo, de pensar mil coisas que podem acontecer (se você quisesse), de ficar horas me lembrando de cada segundo em que estivemos juntos. Você não é obrigado a me querer, você não precisa se sentir obrigado. Queria apenas que você visse que isso é realmente forte, que mexe comigo e com você também, que me traz boas lembranças e me faz querer mais. Você sabe de tudo isso. Não minta pra mim.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

soldados

Eles marcham soldados
Sem riso, selados
No rosto o cansaço
Mas é dia ainda
Vão andando
O chão faz barulho
Trovoa e eles andam
Soldados
Ao chão
À vida

estação pinheiros, 28/04/2016 7h50